O fio invisível que nunca se cruzou
Existe, na sabedoria oriental, algo conhecido como a “teoria do fio invisível”: a ideia de que duas pessoas feitas uma para a outra estão ligadas por um cordão invisível, permanecendo distantes até que, no momento certo, finalmente se encontrem.
Mas essa teoria, às vezes, não se sustenta. Porque há encontros que simplesmente nunca acontecem.
É quase inacreditável pensar que o maior jogador da história do basquetebol brasileiro, Oscar Schmidt, nunca vestiu a camisa do maior clube de basquetebol do país, em Franca. Seria o casamento perfeito — a união inevitável —, mas que, por algum motivo, ficou apenas no campo das possibilidades.
Em 2023, Oscar disse em um podcast que teve a oportunidade de jogar em Franca, mas recusou porque “não queria morar num lugar de merda desses”. A declaração caiu mal, gerou ruído, feriu o orgulho de uma cidade inteira. Confesso: como admirador, também me decepcionei. Mas quem conhece o “Mão Santa” sabe — havia ali mais da sua irreverência e do seu espírito competitivo do que desprezo genuíno.
Porque, no fundo, a verdade é outra.
Franca é a Capital Nacional do Basquetebol. Franca é o Brasil. E Oscar sempre amou o Brasil. Amou a ponto de abrir mão do maior sonho de qualquer jogador: a NBA. Escolheu permanecer fiel à Seleção Brasileira, porque vestir aquela camisa era, para ele, inegociável.
Quem ama o Brasil, de alguma forma, ama Franca. E nós, amantes do basquete, sempre amamos Oscar.
Hoje, no silêncio que fica quando os gigantes se vão, resta a gratidão. Porque o “Mão Santa” agora atende ao chamado do Único que é, de fato, Santo.
Obrigado, Oscar.
Por: Gabs Maciel

