Até logo, camisa 9.

 Até logo, camisa 9.

Essa história já tinha uma força emocional muito grande. O que fiz foi lapidar o texto, corrigindo ortografia, melhorando o ritmo, criando transições mais naturais e dando um tom mais literário, típico de uma crônica esportiva.

22 de maio de 2011.

Eu havia acabado de descobrir o que significava viver um jogo no Pedrocão. Era a segunda partida das finais do NBB entre Franca e Brasília, e eu ainda não fazia ideia de que aquele seria um dos dias que moldariam a minha relação com o basquete.

O Franca venceu na prorrogação por apenas um ponto. Um jogo para testar qualquer coração. Nos segundos finais, Alex teve nas mãos a bola da vitória para o Brasília. O arremesso de três saiu no estouro do cronômetro, beijou o aro… e não caiu.

O Pedrocão explodiu.

Naquele dia, a Seleção Brasileira Sub-17 estava na arquibancada assistindo à partida. O que ninguém imaginava era que, naquele ginásio quase sagrado para quem ama basquete, passado, presente e futuro do Franca Basquete estavam reunidos.

Em quadra, o capitão, camisa 10, Helinho. À beira da quadra, comandando o time, seu pai, Hélio Rubens. E, nas arquibancadas, um garoto de apenas 15 anos, ala-pivô da seleção de base, assistia a tudo encantado.

Seu nome era Lucas Dias.

Anos depois, Lucas contou que foi naquela noite que nasceu o sonho de vestir a camisa do Franca. O que ele ainda não sabia era que não apenas realizaria esse sonho. Escreveria seu nome para sempre na história do clube.

Depois daquelas finais, vieram tempos difíceis. O patrocínio master acabou, as dívidas cresceram e, por muitos momentos, parecia que o fim estava próximo.

Mas algumas instituições simplesmente se recusam a morrer.

O Franca renasceu.

Voltou a competir, voltou a ser protagonista, mas carregava um peso enorme: um jejum de títulos que parecia interminável. Em 2017, chegamos à final do Campeonato Paulista. Parecia que, enfim, a taça voltaria para casa.

Não voltou.

E, ironicamente, do outro lado da quadra estava justamente o jogador cujo destino, pouco tempo depois, se cruzaria definitivamente com o nosso.

O garoto da arquibancada chegou a Franca.

E, junto com ele, terminou o jejum.

Veio o Paulista. Depois outro. Depois o NBB, aquele título que por tanto tempo parecia inalcançável. Taça atrás de taça, uma geração inteira voltou a conhecer o gosto de ser campeã.

Restava apenas um troféu.

24 de setembro de 2023.

Talvez um dos dias mais felizes da minha vida como torcedor.

Naquele dia, vi meus dois times do coração, nas modalidades que mais amo, conquistarem justamente o título que faltava em suas galerias.

Mas, como toda grande história, nada foi simples.

Primeiro veio a angústia de encontrar uma transmissão. Depois, um jogo travado, tenso, decidido em cada posse de bola. O cronômetro zerou e, por um instante, pareceu que o sonho havia escapado.

Só que ninguém tira aquilo que já está escrito.

A arbitragem recolocou 1 segundo e 9 décimos no relógio.

Posse para Franca.

Tempo suficiente para o nosso camisa 9 fazer o impossível.

Em um dos arremessos mais importantes da história do clube, Lucas Dias apresentou o Franca Basquete ao mundo e eternizou seu nome para sempre.

Outras conquistas vieram. Um bicampeonato virou tri. Depois tetra. Depois penta.

Cinco títulos consecutivos do NBB.

Algo que parecia impossível tornou-se realidade.

Agora, esse capítulo chega ao fim.

Quando escolheu vestir a camisa 9, talvez Lucas não imaginasse o simbolismo daquele número.

O 9 é a ponte entre o 8 e o 10.

A 8 de Hélio Rubens.

A 10 de Helinho.

E, entre elas, a 9 de Lucas Dias.

Como se a própria numeração contasse a história do Franca Basquete: passado, presente e continuidade.

Hoje, não tenho dúvidas de que essas três camisas representam três gerações de um mesmo legado. Três nomes que ajudaram a transformar um clube em patrimônio afetivo de uma cidade inteira.

Porque o Franca Basquete nunca foi apenas um time.

É memória.

É identidade.

É família.

Nossos caminhos agora se separam.

Mas torço para que seja apenas um até logo.

Obrigado por tudo, Lucas.

Ídolos passam.

Por: Gabriel Maciel

Apoio: Café Labareda

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