Pelé é Beatles, Messi é Oasis

 Pelé é Beatles, Messi é Oasis

Se imagine sendo um músico e, um dia, acordar descobrindo que a banda que sempre foi a sua maior inspiração simplesmente nunca existiu. Essa é a premissa de Yesterday (2019), filme que acompanha Jack Malik após um acidente que o transporta para uma realidade curiosa: nela, os Beatles jamais existiram.

Na tentativa desesperada de provar que não enlouqueceu, Malik pesquisa por “Beatles” no Google e encontra apenas… besouros. Como segunda prova, procura por Oasis. O resultado? Apenas um oásis no deserto. Confesso que essa piada é, para mim, a melhor parte de um filme que, apesar da excelente premissa, nunca alcança todo o potencial que tinha.

E, antes que você pense que entrou na coluna errada, calma. Isso continua sendo uma crônica esportiva.

Lionel Messi, aos 39 anos, vem encantando o mundo com mais uma Copa do Mundo em altíssimo nível. Campeão em 2022, o argentino segue sendo decisivo e conduz a Argentina como uma das favoritas ao título em 2026. Se a taça vier novamente, o caminho para uma nona Bola de Ouro ficará ainda mais pavimentado.Tudo isso reacende um debate que parecia encerrado: afinal, Messi seria o maior jogador da história do futebol?

Para nós, brasileiros, a pergunta soa quase como uma heresia. Pelé sempre ocupou o trono de Rei de maneira praticamente incontestável. Mas é inegável que, fora da pátria de chuteiras, essa discussão cresce a cada ano. E, pouco a pouco, até por aqui surgem vozes dispostas a confrontar aquilo que parecia uma verdade absoluta.

A verdade é que o tempo é implacável. Ele questiona até aquilo que parecia inquestionável. Dias atrás, Edson Castro, o Castrihho, ou simplesmente meu melhor amigo da internet, fez uma reflexão que ficou comigo. Segundo ele, “com as redes sociais, a memória é curta, e a memória vai deixando de ter valor”.

Talvez seja exatamente isso. Vivemos numa época em que tudo precisa ser o maior de todos os tempos. O presente parece sempre mais brilhante do que o passado. A novidade vence a lembrança. E, como canta o Oasis em “Don’t Look Back in Anger” parece que fomos convencidos a não olhar para trás e às vezes, é justamente olhando para trás que entendemos como chegamos até aqui.

O tempo faz isso com tudo. Depois de mais de seis décadas disputando uma competição que homenageia os Libertadores da América, provavelmente a maioria das pessoas não conseguiria citar o nome de um deles. Nem mesmo a própria CONMEBOL parece se lembrar, afinal, se lembrasse, jamais teria levado uma final da Libertadores para Madri.Mas algumas obras atravessam gerações.

Os Beatles continuam sendo os Beatles porque cada banda que veio depois, de alguma forma, dialogou com eles. O Oasis pôde sonhar em “Live Forever” justamente porque um dia quatro rapazes de Liverpool cantaram “Yesterday”.

No futebol acontece algo parecido. Pelé abriu caminhos que ninguém sabia que existiam. Messi percorreu esses caminhos como talvez ninguém jamais tenha conseguido.Pelé é Beatles. Messi é Oasis.E isso não diminui o Oasis. Apenas lembra que, antes de existir uma “Wonderwall”, alguém precisou ensinar o mundo a atravessar a rua.Messi é o melhor no esporte que Pelé inventou.

Por: Gabriel Maciel

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